João – o filho de Xangô que desafiou o tempo com sua fé

Desde jovem, João carregava dentro de si a força e a de terminação de Xangô. Homem íntegro, de palavra firme, ele dedicou grande parte de sua vida ao Reino de Iemanjá e Nanã, onde se tornou um dos pilares fundamentais da casa.

Com o tempo, ele não era apenas um frequentador, mas o guardião do terreiro, aquele que cuidava, zelava e mantinha viva a energia do sagrado local. No entanto, a vida o colocou à prova quando uma doença grave no coração ameaçou interrompeu sua missão.

Mas, como verdadeiro filho de Xangô, ele desafiou os limites pela ciência e encontrou na fé a força para seguir em frente. João sempre foi um homem de ação. Ele a demonstrava através do trabalho diário no terreiro. Acendia as velas e fazia os despachos necessários para manter o equilíbrio da casa espiritual. Zelava pela casa de Exu, garantindo que as energias se mantivessem em harmonia. Ajudava na organização das oferendas para os Orixás, sempre com respeito e dedicação. Era responsável por manter o terreiro limpo, protegido e energeticamente forte.

Ao longo dos anos, seu comprometimento foi tão grande que ele se tornou o braço direito da Yalorixá Marina, que confiava nele como se fosse um filho espiritual.

Mas um dia, a vida colocou João Ildo diante de um grande de safio. Foi relatado com um problema gravíssimo no coração – uma condição que proporcionou uma cirurgia de alto risco. Os médicos disseram que ele teria, no máximo, 10 anos de vida após a colocação da válvula no coração. O peso da notícia foi grande, mas João Ildo não se desesperou.

Como verdadeiro filho de Xangô, ele decidiu enfrentar uma situação com coragem, fé e determinação. “Se meu tempo for curto, que eu viva cada dia dedicado aos Orixás. Se meu tempo for longo, que eu continue honrando meu compromisso com a espiritualidade.”

A cirurgia foi realizada, e João se recuperou com uma força que surpreendeu até os médicos. Ele voltou ao terreiro mais for- te do que nunca, determinado a continuar sua missão. Mesmo com condições específicas, não deixou de cuidar da casa espiritual, acendendo velas, organizando ofertas e zelando pelo local. Seus 10 anos “garantidos” pelos médicos se transformam em mais 25 anos de vida.

E quando questionado sobre como conseguia continuar forte, João apenas sorria e dizia: “Quem vive de fé não conta o tempo. A gente só vai quando Xangô bate o machado e diz que é a hora.”

Por duas e meia décadas após o diagnóstico, João avançou firme em sua missão. Ele ensinou que a fé pode desafiar até mesmo os limites da ciência. Mostrou que servir aos Orixás não é apenas rezar, mas agir, zelar e manter a energia do terreiro viva. Foi exemplo de força, determinação e amor pela espiritualidade.

Quando, enfim, chegou sua hora de partida, João foi cercado de amor e respeito. Seu nome ficou marcado como o grande guardião do Reino de Iemanjá e Nanã, e seu espírito continuou sendo reverenciado. Até hoje, quando alguém acende uma vela naquele terreiro, é comum dizer com saudade: “João ainda cuida desse lugar.”

Kaô Kabecilê, meu Pai Xangô

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⚖️ Oração a Xangô – O Rei da Justiça Divina

Kawô Kabiesilé, meu Pai Xangô, Senhor do Trovão e do Fogo Sagrado,
aquele que empunha o machado duplo e ergue a verdade acima de toda mentira. Diante de Ti me coloco, com o coração aberto e o espírito em reverência.

Tu que reinas sobre a justiça e o equilíbrio, ensina-me a caminhar com retidão, a pesar minhas palavras, a medir meus atos e a buscar o que é certo, mesmo quando o caminho do justo é o mais difícil de seguir.

Que a Tua força, meu Pai, esteja presente em cada decisão da minha vida. Que eu jamais me desvie pelo orgulho, pela raiva ou pela vingança. Que a chama do Teu fogo purifique meus pensamentos e ilumine meus passos.

Senhor das pedreiras, que faz ecoar o trovão nas montanhas, dá-me firmeza diante das tempestades e sabedoria diante das provações. Que eu aprenda contigo que a justiça divina não se apressa, mas sempre chega — no tempo certo, no modo perfeito.

Quando o mundo me parecer injusto, que eu lembre de Ti, que és o juiz de todos os corações, e que nenhuma verdade se oculta aos Teus olhos. Ensina-me a perdoar sem esquecer o aprendizado, a lutar sem ferir, a falar sem ofender, a agir sem perder a paz.

Xangô, pai da balança sagrada, equilibra em mim o fogo da indignação e a água da serenidade. Que eu jamais me cale diante da injustiça, mas que também não me perca na soberba de achar que só eu conheço o certo.

Que Tua sabedoria seja meu escudo, e Tua verdade, meu guia. Que meu coração, ainda que ferido, encontre conforto na certeza de que nenhum ato de amor é esquecido e nenhuma maldade fica impune aos olhos de Deus.

Oh, rei poderoso, ensina-me a transformar o erro em arrependimento, a dor em força, e o passado em sabedoria. Que eu aprenda a julgar menos e a compreender mais.

E quando a vida me pedir coragem, que eu sinta o peso do Teu machado sobre mim — não como castigo, mas como chamado para a verdade.

Que o Teu raio parta as mentiras, que o Teu fogo consuma as injustiças, e que Tua presença, vibrante e justa, se faça sentir em cada casa, em cada coração, em cada alma que clama por justiça.

Xangô, guardião da honra, protege aqueles que lutam pelo certo, ampara os que sofrem sem voz, e desperta em nós o sentido da retidão e do dever.

Que a Tua energia fortaleça o justo e desmascare o falso. Que a Tua luz inspire reis e humildes, porque diante de Ti todos somos aprendizes.

Que a minha fé em Ti seja como a pedra firme das montanhas, que não se abala com o vento nem com o tempo. Que eu saiba reconhecer Tua presença em cada trovão, em cada decisão justa, em cada gesto de coragem.

Kawô Kabiesilé, Pai Xangô! Faz morada em meu coração e em minha consciência. Que a Tua voz me guie sempre pelo caminho da verdade, e que eu tenha força para agir com sabedoria, fé e amor.

Que a justiça divina reine sobre a minha vida, sobre o meu lar, e sobre todos os que buscam a verdade com sinceridade. Que o Teu fogo limpe, cure e transforme tudo o que ainda precisa ser purificado.

Salve Xangô, Rei das Pedreiras e Senhor da Justiça Eterna!
Que Teu machado duplo corte o mal, e que a Tua força me inspire a nunca desistir. Que, ao final de cada batalha, eu possa olhar para o céu e dizer: “Fiz o que era justo, com a bênção de Xangô.”
Kawô Kabiesilé! ⚖️🔥